Entrevista

SLR à conversa com o Fenther.net sobre o video e o novo single

Quem são os SLR e de onde nos chegam?
Nos somos o Bruno Moreira, a Catarina Moreira e o Luís Água. O Bruno e a Catarina são irmãos e vivem no norte do país e o Luís junta-se a eles a partir da capital, fazendo um trio inseparável. O Bruno e o Luís começaram por fazer música para os seus filmes, desde logo percebendo que a música era uma paixão que os unia não demorando muito até a Catarina se juntar. Assim deram início à procura da sonoridade dos SLR.
 
Complicado editar singles nestes dias incertos, concordam?
Esta pandemia veio provocar tudo que tínhamos como adquirido, o meio artístico, com toda a sua precariedade característica, teve de se reinventar e usar toda a sua criatividade para se manter relevante. A questão que nos inquietou mais, não foi como iríamos criar este single ou o seu vídeo e todo o material de promoção (Essa sempre foi uma luta com distâncias e horários entre os vários projectos a que cada um de nós se dedica.) mas sim como iríamos furar com tantos directos e tanta música a ser lançada sem a possibilidade de estar lá em directo, lado a lado, com o público. No final de contas editar singles e não chegar ao público para este ser ouvido não faz sentido. O covid-19 veio dificultar, trouxe ainda mais incerteza a um meio que já se tinha habituado a não ter certezas de nada, mas a luta tem de continuar e com a US nós decidimos não parar e aqui estamos à procura do nosso cantinho na música nacional na esperança de a cada dia sermos mais a partilhar este nosso amor.
 
Os dois primeiros singles foram bem recebidos pela imprensa e pelos ouvintes?
Sentimos que sim, o que é bastante animador e nos deixa mais fortes para continuar a fazer música. Uma coisa que tentamos sempre fazer é não criar grandes expectativas, na medida em que sabemos que tudo o que vier é bom, e sem nos martirizamos caso algo não corra como imaginamos.
Notamos, em nós, uma grande diferença do lançamento do primeiro single para este último. Estamos mais tranquilos e descansados ao lançar música. Temos percebido que cada vez mais as pessoas sentem que precisam de nos dar a sua opinião relativo a cada música nova e que se relacionam com o nosso trabalho, é muito bom e diríamos até que é o melhor de editar singles.
Quanto à imprensa, tivemos reviews bonitas que nos fizeram sentir ouvidos e entendidos. O apoio da imprensa nacional enche-nos o coração a cada artigo. Tivemos também surpresas vindas de fora do país com palavras que nos deixam muito orgulhosos. Continuamos no entanto a sentir que é difícil “furar” hoje em dia, mas estamos aí para a luta (ahah)
 

 
Podem levantar o véu deste Single “us” para quem ainda não conhece bem como o seu vídeo?
A US é uma música de força para o quebrar de uma relação que já não tem mais a dar. Quase que um luto, mas de um amor. No vídeo acompanhamos a protagonista nas 5 fases do luto de uma relação. Vemos as suas lágrimas, a raiva, a incompreensão e o desespero, darem lugar a um sorriso de força para o futuro. Há uma ida simbólica a um espaço só nosso, ao nosso interior, e sempre que lá entramos saímos mais fortes. Esta é uma música sobre algo triste mas inevitável.
 
Onde encontram influências? Onde se inspiram?
Bem, esta pergunta é bem complexa e na realidade sentimos que muda bastante mesmo entre nós os 3. As músicas, regra geral, surgem sempre a partir de uma ideia de um de nós. Algo que aconteceu, algo que surgiu, o que for... E a partir daí partilhamos e vamos maturando as ideias, os sons, as palavras, até chegarmos a um sítio onde os três sintamos que está lá um pouco de cada um. Mas sim, respondendo à pergunta, as inspirações surgem de qualquer lado na verdade. Da música que ouvimos, dos filmes que vemos, das conversas com amigos, família, até de um som que ouvimos ao passear o cão (ahah) vem do nosso mundo.
 
Como definem o som que criam?
Se a pergunta anterior era bastante complexa, esta é sem dúvida a mais difícil de responder. Para nós não há uma definição exata do som que nós criamos. Temos influências de vários universos como do pop eletrônico e do r&b. A mistura das nossas vozes é um dos pontos mais autênticos, talvez um dos pontos em que nos diferenciamos. Mas ter uma resposta que corresponda a encaixar as nossas músicas numa caixa, nesta procura constante que temos vivido, é-nos muito difícil.

O álbum está a ser pensado?
Por agora queremos criar mais, compor mais e contar mais histórias através da nossa música e dos vídeos das mesmas. Estamos a trabalhar no sentido de editar em breve um próximo single. Temos um EP na mira, mas neste momento sentimos que com os singles conseguimos dar mais atenção a cada música e podemos estar em contacto mais directo com os ouvintes e as opiniões que nos chegam influenciam sempre positivamente a continuação do nosso trabalho seguinte.
 
Estado da musica nacional? De saúde?
Há uns anos que a resposta para esta pergunta tem sido sempre “a música portuguesa está a desenvolver de dia para dia e a seguir um caminho que se recomenda”. Estão sempre a surgir novas sonoridades, assim como artistas cheios de força e inovação. Sentimos que cada vez mais o panorama nacional nos provoca a não nos deixarmos ficar para trás. Portanto, achamos que a música nacional está de perfeita saúde e em muito bom caminho.
 
Vão conseguir tocar ao vivo em breve? Vai ser possível?
Dentro de nós existe uma vontade enorme de podermos cantar com os nossos ouvintes olhos nos olhos. Temos usado as redes sociais como a única forma de comunicação directa e não sabemos quando poderemos complementar esta comunicação com música ao vivo. De momento estamos focados em responder a todos que nos pedem mais música e esperamos que o quanto antes possamos estar todos juntos, a tocar ao vivo.
 
Mensagem final...
Queríamos agradecer à FENTHER e a todos os que estão a ouvir, a partilhar e também a sentir a nossa música.
Estamos a dar o que temos de mais verdadeiro e queremos continuar a fazê-lo. Obrigado a todos que nos apoiam. Esperamos que em breve nos encontremos por aí.

Obrigado!

Vitor Pinto
www.fenther.net

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